
Por onde caminham os peregrinos?
Serão através matas fechadas, bosques sem fim, cavernas misteriosas, cachoeiras com transposição mágica, caminhos subterrâneos secretos, e uma série de fantasias que o ser humano intui na sua existência?
Com uma série de rituais catalogados e outros tantos lugares de passos mágicos sai o peregrino na direção de Santiago de Compostela.
Desde o início começam as surpresas ao verificar que a travessia dos pirineus franceses em sua grande parte é realizada por uma estradinha rural asfaltada.
E ao longo do caminho vão se acostumando com alguns termos reais tais como, andaderos, acostamentos, carreteras, pistas de concreto, caminhos de terra batida e finalmente as trilhas que são poucas.
E talvez por essa razão em determinado trecho do caminho surge àquela célebre indagação.
O que estou fazendo aqui?
Pois bem, a partir daí independente por onde pisa o peregrino despe-se de todas as fantasias e começa o seu caminho real.
Surgem os companheiros de caminho, a solidariedade que foi cunhada por alguns de “espírito peregrino”, os acontecimentos inusitados durante o caminho que levam a reflexões profundas, a força interior renovada para vencer os desafios de caminhos tortuosos e difíceis.
E com o passar do tempo o peregrino vai percebendo que o seu caminho real de andaderos, terra batida, asfalto e trilhas estão modificando o seu modo de ver, e o que se passa ao seu redor.
Sem fantasias elaboradas ele encontra o seu caminho para chegar a Santiago Compostela, e muitas vezes já com aquela vontade de retornar a tudo de novo lá do início.
E ainda mais por saber que agora experimentará a sua própria fantasia , e não a fantasia de um mercador de ilusões.